
Filme: Dersu Uzala
Diretor: Akira Kurosawa
Local: Auditório Cefas Jatobá - F2J
Dia: 23/set (4ª feira)
Hora: 19h00


Entre os dias 10 e 17 de setembro aconteceu em Salvador a 36ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia, com atividades no ICBA, no Espaço de Cinema Glauber Rocha, na sala Walter da Silveira (Biblioteca Central da Bahia) e no hotel Sol Victória Marina, onde se realizaram as reuniões.
A Jornada deste ano foi dedicada ao jornalista, sociólogo, engenheiro e escritor brasileiro Euclydes Rodrigues Pimenta da Cunha (Euclydes da Cunha), autor de Os sertões, entre outras obras, quando se comemora o centenário de sua trágica morte, ocorrida numa luta com o tenente Dilermando de Assis, amante de sua esposa. O outro homenageado será o cineasta Roberto Rossellini, considerado o fundador do neo-realismo italiano, que terá suas principais obras cinematográficas exibidas na Jornada.
A programação se completou com o concurso de filmes e vídeos afro-iberoamericanos, uma programação de filmes baianos e uma mostra da produção cineclubista baiana. Os cineclubes baianos, além da mostra audiovisual, fizeram reunião nos dias 15 e 16 tendo como pontos centrais da pauta o direito do público a ver a diversidade das produções audiovisuais brasileiras, bem como a produção mundial não hegemônica, e a se ver na tela, além da organização em uma Federação que inclua os cineclubes da Bahia e de Sergipe. No dia 17 os cineclubes se reuniram com os cineastas independentes, um encontro de quem cria com o público, através dos cineclubes.

Flores do amanhã, do diretor chinês Zhang Yang, com roteiro de Zhang Yang e Ca Xiang Jun é um filme de 2005. Zhang Yang é um diretor novo, seguindo a linha sucessória da quinta geração de cineastas chineses (Tian Zhuangzhuang, Chen Kaige, Zhang Yimu) e a geração underground chinesa (Zhang Yuan, Wang Xiaoshuai), a primeira a não acatar as decisões do poder - autorização para filmar, onde filmar, etc. - passando por cima da exigências das autoridades e construindo uma filmografia contra o governo estabelecido.
Zhang Yang aparece no cenário cinematográfico chinês com Banhos (1999). É considerado, juntamente com Lu Chuan, Ning Hao e Xiao Jiang, um diretor preocupado com o "grande público". Em Flores do amanhã, ele retrata os conflitos sociais e políticos dos últimos 30 anos na China (1975 - 2005), a "revolução cultural", a morte do líder da revolução chinesa (1949), Mao Tsé-tung (1976), o afastamento da chamada "gangue dos 4" do poder, a ascensão de Deng Xiaoping e todo o processo de abertura da economia chinesa e modernização do país, mas, tudo isto feito com muita sutileza.
A história se passa em uma pequena comunidade da China, em que o pai, artista plástico preso e torturado durante a "revolução cultural", retorna para casa onde seu filho já não o conhece e ele (o pai) já não pode exercer sua profissão, por perda do controle das mãos, provocado pelas tortura durante a prisão. No conflito de um pai que quer impor seu sonho ao filho, vão aparecendo, lentamente, os conflitos de uma nova China, com seus métodos, novos interesses e novas formas de convivência social.

